O número de crianças com problemas de visão vem crescendo nos últimos anos, de acordo com estudos do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia). Segundo os dados, cerca de 20% das crianças em idade escolar apresenta algum distúrbio.

 

Saúde ocular

A visão se estabelece plenamente até os cinco anos. Mas, muitos dos problemas de visão podem ser contornados se forem diagnosticados e tratados logo no início.

“Desde o momento que nasce já existe uma atenção ao olho do bebê. O pediatra já pode identificar alguns problemas, como estrabismo, fazendo o teste do olhinho, na maternidade. Aparecendo algo, indica a passagem pelo oftalmologista”, diz Nelson Douglas Ejzenbaum, pediatra e neonatologista, membro da Sociedade Americana de Pediatria.

Com a maior precisão nos diagnósticos, também é possível encontrar um número maior de crianças usando óculos. Diferentemente do passado, quando era bem mais difícil convencer o pequeno a usar, hoje a tarefa não é tão complicada.

“Hoje em dia muitas crianças querem usar óculos. Existem opções mais adequadas, mais coloridas e lúdicas”, diz Lisia Aoki, oftalmologista do Hospital das Clínicas. “E se os pais usam óculos, a criança vai querer usar e não vai achar ruim”, completa.

 

Na escola

A oftalmologista Lisia também destaca que, dentro da escola, a professora acaba tendo papel importante no diagnóstico de problemas de visão em crianças.

“Muitas vezes é a professora que tem a suspeita de baixa visão da criança. Uma criança, em muitos casos, não se queixa porque não percebe, mas tem comportamento de quem não está enxergando, por exemplo, olhando no caderno do colega do lado”, afirma Lisia Aoki.

 

Tratamento precoce

O Brasil tem cerca de 29 mil crianças cegas, segundo a Agência Internacional de Prevenção à Cegueira. Se as doenças oculares fossem tratadas precocemente, esse número seria bem menor, de acordo com a agência. Mas não é apenas um problema de visão que pode causar a cegueira.

“O olho é uma lente, mas a imagem se forma no cérebro. Se tiver uma lesão cerebral que controla a visão, essa criança nunca mais vai enxergar”, diz o pediatra Nelson.

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