Na manhã da última quarta-feira, 09, a Polícia Federal bateu cedo na porta da casa do prefeito de Barueri, Rubens Furlan (PSDB). Os agentes estavam cumprindo mandatos de busca e apreensão em pleno andamento da Operação Prato Feito. A investigação sobre fraudes em licitações de compra de merenda, uniforme e material escolar em vários municípios do Estado de São Paulo, atingiu a administração da cidade em cheio.

O relatório parcial entregue ao juiz Alessandro Diaferia, da 1ª Vara Federal Criminal de São Paulo, na representação elaborada pela Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros da PF, ilustra com detalhes como o esquema aconteceu em Barueri.

O lobista Eládio Marguno intermediou o contato entre o atual prefeito Rubens Furlan e o dono da Editora Melhoramentos – especializada em material didático e paradidático – Wilson José da Silva Filho.

Em setembro de 2016, pouco antes da eleição, Furlan recebeu Eládio em sua casa. De acordo com a PF, a sequência dos fatos fornece coesão lógica e interpretação dedutível de que o prefeito recebeu valores em espécie antes do pleito.

 

Grampo comprometedor

Em interceptação de conversa entre Eládio e sua esposa, o lobista contou que o prefeito deu instruções específicas para que ele fizesse a operação. “Ele disse: não vai esquecer de sexta-feira aquela outra parte que eu preciso (…) Pode entregar para o Eládio que ele vai fazer a operação para mim. (…) tenho medo dos caras me gravarem aí, eu não posso”.

Um dia depois das eleições, em outra ligação telefônica, Eládio conta a um interlocutor que apresentou Wilson a Furlan e deixa claro que resolveu “uma situação”. “Eu coloquei ele numa cidade muito boa, aí na Grande São Paulo, sabe na Castelo ali? Aquela que todo mundo quer? E ele não acreditou. Botei ele direto com o número um lá. Acabamos ajudando na última hora. Sexta-feira, oito horas da noite tava lá. Resolvendo uma situação lá que foi fundamental pra ele”.

 

Modus operandi

A verba da Educação destinada aos municípios pela União é uma das maiores recebidas pelas prefeituras e é, justamente, aonde os criminosos atuam nas fraudes de licitação.

Para o promotor de Justiça e presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, Roberto Livianu, essa operação da Polícia Federal ocorre devido à falta de ações do Estado para combater o crime e gera graves consequências sociais.

“O desvio de verbas da Educação traz efeitos sociais desastrosos porque quando a educação não é oferecida em nível adequado há reflexos que produzem diversas consequências, como o aumento da violência. E o outro ponto é que o Estado não consegue promover regras mais duras para acabar com a corrupção”, explica Livianu.

 

Outro lado

O Jornal do Trem & Folha do Ônibus entrou em contato com a Secretaria de Comunicação de Barueri para obter esclarecimentos a respeito da ação da PF. Fomos informados que a “prefeitura colaborou com a ação da Polícia Federal, cumprindo todos os mandatos requisitados”.

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