A reforma da Previdência é um dos assuntos mais discutidos dentro e fora do Congresso Nacional. As novas medidas para a aposentadoria exaltam os ânimos da sociedade e, também, dos parlamentares.

A cena protagonizada pelos deputados federais na última terça-feira, 09, durante a leitura do parecer da reforma na CCJ (Constituição Parlamentar de Inquérito), refletiu a falta de respeito diante de um assunto tão sério para o país. A rivalidade política se sobressaiu – a oposição tentou apresentar uma questão de ordem para atrasar a leitura – e a ausência de decoro interrompeu a sessão por 15 minutos.

Quem perde diante de toda essa confusão é o povo, que elegeu os deputados para ‘brigarem’ por um país melhor e não protagonizarem cenas incompatíveis com o cargo que exercem.

 

Jogo do quem pode mais?

Por um lado, deputados que defendem a proposta da reforma da Previdência apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), de outro, parlamentares da oposição que querem atrasar a discussão do texto na CCJ. Um cenário que, segundo o cientista político, Leandro Consentino, mostra a força da polarização no Congresso Nacional.

“O que se viu na CCJ foi a presença de uma oposição mais bem treinada para o embate, usando de todas as artimanhas e do regimento a seu favor, e uma situação muito amadora. O lamentável é que a gente continua patinando em um jogo de nós contra eles, sem o espaço para o real debate que precisa neste momento. E não é assim que se faz política”, fala Consentino.

A conversa nos bastidores da Câmara dos Deputados é que na próxima segunda-feira, 15, os deputados do Centrão vão pedir a inversão da pauta na CCJ. Ou seja, eles querem discutir no primeiro momento a PEC do Orçamento Impositivo e deixar para depois a reforma da Previdência.

 

Falta decência

A discussão sobre a reforma da Previdência é válido, desde que haja o respeito entre os próprios políticos e, principalmente, ao povo. No entanto, o que se presencia em algumas Casas – no próprio Congresso, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais – é a falta de honradez.

“Essa ausência de decoro não existe há muito tempo. Essa palavra caiu em desuso diante de tudo o que se têm visto nos plenários. Falta requalificar o debate parlamentar e dar a ele a devida importância”, comenta o cientista político.

Para Consentino, essa falta de comprometimento e seriedade dos parlamentares leva o eleitor a não valorizar as eleições legislativas, criando um círculo vicioso – votar mal para esses cargos e renovar a possibilidade de pessoas que não estão a fim de um debate sério voltarem aos parlamentos.

“É uma armadilha bastante complicada que só se resolve quando o brasileiro entender que o debate legislativo é sério”, diz.

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