O cenário para esta eleição está bem diferente e, um dos pontos a ser analisado é a formação das chapas para a disputa dos cargos a presidente e governador. Muitos candidatos esperaram até o último dia das coligações para escolher os vices, o que demostra a articulação política dos partidos com a finalidade puramente eleitoral. Outra questão é uma presença maior de mulheres nessa aliança.

Especialistas entrevistados pelo Jornal do Trem & Folha do Ônibus fizeram uma análise sobre essa demora nas escolhas e a formação de algumas alianças.

 

A escolha do vice

Para muitos eleitores, o vice candidato não se apresenta como uma figura tão importante. Mas para os partidos, trata-se de uma escolha fundamental do ponto de vista da articulação política.

“Além da coesão ideológica/programática, há também a visualização de um cenário posterior, de formação do governo, no qual o apoio partidário será fundamental para a garantia da governabilidade”, explica o cientista político Bruno Souza.

Para este pleito, muitos partidos tiveram dificuldade em escolher a composição da chapa. Segundo o especialista em comunicação eleitoral, Yeken Serri, esse fato ocorreu “porque as coligações demoraram a se definir, mostrando uma dificuldade na negociação entre os partidos para formar uma aliança”.

 

Analisando as chapas

O cientista Bruno Souza avalia as candidaturas à Presidência da República, após a escolha dos vices.

“Vários postulantes à presidência ficaram isolados, compondo uma chapa com partidos pequenos – Marina (Rede) e Eduardo Jorge (PV); Jair Bolsonaro (PSL) e General Mourão (PRTB) – ou chapas puras, na qual candidato e vice são do mesmo partido, como Lula e Haddad (PT) e Ciro Gomes e Kátia Abreu (PDT). A exceção foi o apoio político organizado em torno de Alckmin, o qual conta com partidos de expressão no Congresso, conhecidos popularmente como “Centrão” (PP, DEM, PR, PRB e SD), em uma chapa pluripartidária”, ilustra.

 

Interferência nas urnas

O candidato a vice pode interferir no resultado da eleição? Segundo o cientista político, “não há uma interferência do ponto de vista de conseguir articular a preferência do eleitor, mas o vice pode fazer com que as opções eleitorais possam ser revistas e o cidadão canalize a sua opção para outro mandatário que se postula candidato”.

Um exemplo de escolha do vice em busca de votos pode ser visto na composição da chapa de Geraldo Alckmin, como explica Yeken. “Geraldo Alckmin escolheu Ana Amélia (PP), uma marca política forte na região Sul, aonde o candidato Jair Bolsonaro mostrava um determinado crescimento”.

 

Mulheres na chapa

Essa eleição será marcada pelo número recorde de mulheres ocupando o posto de vice à disputa pela Presidência da República – em São Paulo, o candidato a governador, Márcio França (PSB) escolheu Eliane Nikoluk (PR).

Essa decisão dos partidos pode estar ligada a dois fatores, como explica Yeken. “Uma regra eleitoral determina que 30% do Fundo Público seja destinado às mulheres, o que acaba auxiliando o candidato. Outro fator é tentar conquistar o eleitorado feminino, que segundo pesquisas mostra ser aquele que está mais indeciso quanto ao voto”, diz.

Para Bruno Souza, “a opção por mulheres se revela como sinalização dos partidos aos eleitores no sentido de mostrar que estão realizando um esforço para se tornarem mais representativos em meio a um terreno político marcado pelo descrédito da classe política e afastamento dos representados em relação aos seus representantes”.

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