O presidente Jair Bolsonaro (PSL) ganhou destaque, nessa semana de Carnaval, por dois motivos: o primeiro foi o vídeo publicado nas redes sociais aonde ele comentava sobre os blocos de rua, já o segundo é em relação ao aumento dos custos do cartão corporativo vinculado à Secretaria de Administração da Presidência.

Os dois assuntos foram muito comentados, porém o gasto de R$ 1,1 milhão somente na Secretaria de Administração – que incluem as despesas com o presidente – está na contramão do que Bolsonaro defendeu durante toda a sua campanha: a redução de gastos do governo federal.

 

Fatos e contradições

Durante a campanha política, Jair Bolsonaro defendeu a redução dos gastos da União. Já na transição de governo, o ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni, disse que os cartões corporativos deveriam ser extintos. Porém, as atuais despesas revelam que não há nenhuma preocupação em usar o dinheiro público, uma vez que houve um aumento de 16% dos gastos em relações aos últimos quatro anos de gestão presidencial.

Para o cientista político, Leandro Consentino, há uma razão desses cartões existirem – agilizar as compras governamentais que nem sempre se consegue com o processo licitatório -, o que não justifica o valor de R$ 1,1 milhão gasto com a presidência.

“Causa espanto o fato de que há pouco tempo tinha alguém defendendo a extinção e agora tem o aumento dos valores”, comenta Consentino.

Quanto ao sigilo dos gastos – alguns não são informados, pois podem comprometer a segurança do presidente -, o cientista político explica que não afeta a atual gestão, mas coloca uma suspensão em cima de algo do que se disse.

“No geral, vemos um problema em cima do que ‘faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço’”, comenta.

 

Boa vida para muitos

Cerca de 1.846 servidores estão autorizados a usar os cartões corporativos. Segundo informações divulgadas pelo jornal Estado de São Paulo, eles já gastaram um total de R$ 5,3 milhões nestes primeiros meses de governo – valor 28% menor em relação à média dos últimos quatro anos do PT e MDB no poder.

Apesar dessa redução dos gastos, o uso exacerbado do dinheiro público continua ocorrendo, como é o caso do servidor do Ministério da Defesa que pagou um lanche da MC’Donalds (R$ 19,00) e R$ 500 em um restaurante especializado em carnes argentinas – tudo com o cartão corporativo.

 

Abalando a confiança

Uma pesquisa realizada pelo Instituto MDA, divulgada em 26 de fevereiro, revelou que 38,9% da população considerava como ótimo ou bom o governo de Jair Bolsonaro – 29% pontuaram como regular, 19% ruim ou péssimo e 13,1% não souberam opinar.
Para Leandro Consentino, “essa pesquisa mostra que Bolsonaro tem níveis de aprovação perto do que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) tinha depois das manifestações de 2013. Isso não é uma boa notícia para quem está no cargo e ganhou com uma votação expressiva. A confiança já estava abalada e tende a piorar quanto mais Bolsonaro insistir em reformas impopulares conjugadas com as posturas que não faz jus a elas – exige contrapartidas da população e não corta as despesas”.

 

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