Mirian Goldenberg

 

Muitos homens usam como desculpa para a infidelidade a “natureza sexual masculina”. Eles justificam as traições por meio de uma suposta essência poligâmica.

Um produtor musical de 41 anos disse: “Sou completamente apaixonado pela minha namorada, temos uma vida sexual deliciosa, ela é minha melhor amiga, companheira e amante. Nunca me senti tão feliz com uma mulher. Apesar de não ter a menor vontade de me envolver com outra, tive um caso em uma viagem de trabalho. Não teve nenhum significado, mas não resisti. Acho que é da minha natureza”.

Um professor de 35 anos contou: “Fui cantado por uma aluna e acabamos transando. Minha mulher descobriu. Mas tenho absoluta certeza de que todos os homens que conheço fariam o mesmo, é da natureza masculina”.

Usar a “natureza” como desculpa me fez lembrar uma conhecida fábula. Um escorpião pede a um sapo que o carregue para atravessar um rio. O sapo diz que tem medo de ser picado, mas o escorpião diz que não fará isso porque, se picar o sapo, vai se afogar. O sapo concorda com o argumento. Mas, no meio da travessia, o escorpião dá uma picada no sapo. O sapo então pergunta por que o escorpião fez isso, já que ele também iria morrer. E o escorpião diz: “Porque é da minha natureza”.

Obviamente não existe uma “natureza” que faz com que os homens sejam infiéis. Será que eles pensam que são escorpiões incapazes de controlar a própria “natureza”, mesmo sabendo que correm o risco de perder “o grande amor de suas vidas”?

 

Mirian Goldenberg é antropóloga

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