Gisela de Barros é uma jovem “comum” de 24 anos. Estudou no interior, fez faculdade em São Paulo, conseguiu fazer intercâmbio e abriu sua mente para o trabalho comunitário e uma noção mais ampla da participação de cada pessoa na sociedade.

Por esse motivo, Gisela se inscreveu para participar de um concurso de órgão mundialmente famoso, a Transparência Internacional, de combate à corrupção.

A disputa era “simples”. Um vídeo de 1 minuto. Uma ideia de ação para combater a corrupção.

Gisela ligou a câmera do seu computador, e com seu inglês tranquilo, explicou: “Ao meu ver, a educação é a única forma de realmente transformar uma sociedade. As leis e punições são importantes, mas antes disso está a formação do cidadão. Isso, eu acredito, se aplica para quase todas as falhas que a nossa sociedade apresenta hoje. Desde a violência, os crimes de ódio e até a desigualdade social podem ser consideravelmente mitigados, se não extintos, com políticas assertivas de educação e conscientização. Com a corrupção não é diferente”.

 

Problema latente

Nos últimos anos, muito tem se falado da corrupção no Brasil. A tolerância dos cidadãos com os atos dos políticos envolvidos em atitudes ilícitas acabou e agora a retidão de conduta é cobrada implacavelmente. Mas acontece que ainda estamos muito longe de chegar no cerne do problema.

Como advogada, Gisela especializou-se em combate de corrupção em empresas, também conhecido como “compliance”.

“A corrupção é responsável pelo desvio de milhões de reais todos os anos. O Ministério Público Federal (MPF) apontou que em 2016, R$ 200 milhões deixaram de ser aplicados na educação, na saúde e no desenvolvimento do país para engordarem os bolsos de alguns personagens da nossa política. Alguns especialistas afirmam que esse valor é apenas uma pequena parcela que foi descoberta – parte de todo um sistema consolidado há séculos no país”, lamenta. 

 

Espalhar a semente

A ideia de Gisela é fazer aulas para serem dadas aos alunos nas escolas do ensino fundamental e médio. Aulas que explicam a corrupção em seus atos do dia a dia, e como ela precisa ser combatida na raiz. “Se todos se conscientizassem das consequências, em pequena e em larga escala, dos nossos atos rotineiros, talvez tenhamos uma chance de ter um país melhor. Enquanto nos enxergarmos como cidadãos ‘a parte’ da atual conjuntura, e não assumirmos nossa responsabilidade, seremos reféns da vontade do sistema estabelecido”.

 

E ela ganhou

Acontece que o vídeo de Gisela, simples, sem rodeios – mas com uma excelente ideia – venceu a disputa mundial, com mais dois competidores. Um da Indonésia e outro do Quênia. Ela parte para Berlim amanhã, 8, para receber seu prêmio – e encher a família e seu país de orgulho.  

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