No último fim de semana, duas notícias mexeram com o cotidiano das pessoas. A morte do músico MC Reaça e a denúncia de estupro contra o jogador Neymar Jr.

Todas as duas envolvendo a natureza das relações humanas. E como essas relações podem falhar.

MC Reaça, o nome artístico de Tales Volpi, se envolveu com uma mulher num relacionamento extraconjugal. No que teria sido uma discussão, depois dela dizer que estava grávida, ele a agrediu fortemente, saiu pela estrada, gravou um áudio para a esposa pedindo para que cuidasse do filho da amante e se matou. A mulher não está grávida e se recupera das agressões no hospital.

Neymar Jr. surpreendeu a internet divulgando um vídeo com trechos de conversas e fotos íntimas entre ele e uma mulher que o acusa de tê-la estuprado. Eles teriam tido um relacionamento “normal de homem e mulher entre quatro paredes” em Paris. Mas a modelo declarou o crime hediondo. E o jogador agora está sob suspeita – e não menos pior, sob os memes implacáveis do povo brasileiro.

Mas não é engraçado.

A piada feita não tem graça quando se leva em conta a empatia. Somos seres humanos.

A moça pode ser uma aproveitadora? Mas pode estar sofrendo. O jogador pode estar com a índole posta a prova. Como será que está se sentindo?

As mulheres são uma ponta frágil nesta equação, sem dúvida. No Brasil, cresceu 17% a morte intencional de mulheres dentro das casas nos últimos cinco anos.

A violência é uma das respostas da doença da relação.

Homens e mulheres nasceram para viver em equilíbrio. E casos como esses mais “famosos” são apenas uma fração de como a harmonia se esvai numa sociedade em que os homens aprendem que as mulheres devem ser uma espécie de propriedade.

É difícil contornar essa realidade. Extremamente complexo. Porque até mesmo muitas mulheres ainda se acreditam presas a este status. Muitas se consideram inferiores e pensam que precisam se submeter aos anseios e expectativas dos homens para se realizarem.

E o pior: os homens ainda, além de acreditarem nesta premissa, ainda não enxergam que precisam de cura diante desses pensamentos. Eles não percebem que as mulheres – assim como eles – precisam de respeito e afeto. Muito longe dessa objetificação bestial que prendeu boa parte dos seres humanos nessa rede fútil de interesses mesquinhos.

 

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