Não se pode culpar o videogame. Nem o bulliyng. Nem as espinhas no rosto.

Não se pode culpar o comportamento dos colegas. Nem as adversidades que foram muitas.

Aliás, não se pode culpar ninguém – além dos próprios autores dos crimes.

Para todas as atitudes que tomamos na vida, existem escolhas. Todos os dias, nos deparamos com várias. Em algumas, acertamos. Em outras, erramos feio.

Às vezes, nossas atitudes afetam outras pessoas de forma irremediável. Às vezes, somos tão carrascos de nós mesmos, que nem precisamos machucar mais ninguém.

O desequilíbrio extremado, a falta de humanidade a este ponto, tudo isso provoca reflexões na sociedade que muitas vezes fogem do foco real.

Não há problema quando a criança joga videogame. O problema começa quando o pai ou a mãe deixa correr solto e simplesmente não conversa mais com seu filho.

A falência das relações familiares é o problema.

Salvo os casos de psicopatia, em que nada há de ser feito, adolescentes e jovens respondem à escassez de amor. Eles não tiveram atenção. Não tiveram respaldo. Não tiveram carinho.

Em consequência, por falta da estrutura própria – que ainda bem, a maioria tem – saem atirando nos outros.

Adultos egoístas produzem crianças ressentidas e ressecadas de afeto. Essas crianças, mais tarde se transformarão em adultos problemáticos. Adultos com questões a tratar nos consultórios psiquiátricos, deprimidos, ansiosos, angustiados. Esse é um dos maiores males da sociedade do século 21. Vivemos a era do suicídio – mas ninguém quer falar sobre isso.

Se você tem filhos pequenos, ou não tão pequenos, observe. Gaste um tempo olhando para sua cria. Não apenas enquanto ele olha para você. Observe-o comendo. Brincando. Assistindo televisão. Jogando, olhando o smartphone. Observe-o em silêncio. Faça esse exercício.

Imagine como seria sua vida, sem esse ser. Você valoriza seu filho? Então invista teu tempo nele. O seu tempo é o seu bem mais precioso. Não adianta nada dar brinquedos ou artefatos caros, sair para jantar, levar no shopping todo fim de semana – se não existe a conversa. Se você não sabe o que ele sente.

Você sabe identificar um olhar de medo, de insegurança, de tristeza ou de raiva no seu filho?

Tudo o que um filho mais quer é se sentir amparado dentro da própria casa. É ter nos pais o seu porto seguro. Todos nós precisamos de um porto seguro na vida.

O segredo do sucesso e da felicidade do seu filho mora na sua disponibilidade em ser esse porto seguro para ele. Você consegue?

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