Um dos pilares mais simples do jornalismo ético é: ouvir todos os lados de uma história quando você está escrevendo uma matéria. Ou pelo menos tentar.

Essa é uma lição dada na primeira aula da faculdade. Quase que a primeira fala do professor, logo depois do “bem-vindos” aos alunos.

No Jornal do Trem & Folha do Ônibus, este preceito sempre é seguido. O “outro lado” é procurado para dar a sua versão dos fatos. Mesmo que a história tenha sido apurada em cima da hora no fechamento. Se o “outro lado” não responde – bom, aí já é um critério do “outro lado”.

Infelizmente, o jornalismo brasileiro vem sofrendo com exemplos tristes de reportagens que não primam por este preceito tão simples aprendido nos bancos das universidades.

E o nosso jornal foi vítima de uma matéria como esta, recentemente. Na última sexta-feira, 3, um portal chamado Comunique-se publicou uma reportagem intitulada “Crise do impresso chega a jornais gratuitos”, assinada por Anderson Scardoelli.

No texto, o autor cita o Jornal do Trem & Folha do Ônibus, além de alguns de seus funcionários e presidente – tecendo análises sobre o trabalho desenvolvido dentro da redação, além do futuro de nosso modelo de negócio.

O único problema é que Anderson não teve o cuidado de fazer sequer uma ligação telefônica para checar aquilo que estava escrevendo.

Publicou suas informações sem se preocupar em ouvir todos os lados. É verdade, o Jornal do Trem conta com uma equipe enxuta, afinal vivemos em tempos de crise.

Mas distribuímos 250 mil exemplares toda sexta-feira, em toda região metropolitana de São Paulo. Nossos anunciantes, garantem a viabilidade das nossas operações.

Não existe fórmula mágica para sobreviver a tempos difíceis. São cortes de custos onde é possível economizar mas é necessário fazer investimentos ao mesmo tempo – e é por este motivo que no ano passado lançamos os nossos novos displays.

Divulgar informação sem checar é um erro primário no jornalismo. E o mais triste é manter a arrogância diante do erro.

Lamentamos profundamente a crise que interrompeu a circulação de alguns de nossos concorrentes. Não é porque somos concorrentes que teremos uma postura predatória – nunca tivemos e nunca vamos ter. Acreditamos piamente na ética. Esse é um dos nossos valores.

Apesar da “análise” sobre a conjuntura, que mais parece um desejo secreto de mal presságio sobre o futuro do jornalismo impresso no Brasil, fica a lição sobre os motivos pelos quais o jornalismo anda tão desacreditado.

É o sinal dos tempos.

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