Na última semana, um debate peculiar esquentou o cenário das eleições do ano que vem. A deputada federal Renata Abreu, do Podemos, enviou ao Congresso uma proposta para flexibilizar a cota de vagas femininas por partido na Casa.

Tal medida, gerou um tremendo barulho entre as colegas de Brasília. Para muitas das deputadas, essa flexibilização prejudica ainda mais a participação das mulheres na política – além de abrir mão de 30% dos recursos das siglas para as mãos de poucas interessadas.

Corre a denúncia que no Ministério Público que Renata Abreu prometeu distribuir igualmente entre as candidatas do partido 30% dos 36 milhões de reais destinados pelo fundo eleitoral ao seu partido. Porém, a hora do “vamos ver”, a única que recebeu recursos foi Heida Woo, com R$ 700 mil.

Renata Abreu teve uma verba de R$ 2 milhões na própria candidatura.

Essa mudança seria um alívio para os dirigentes dos partidos. E Renata a propôs como presidente do Podemos – não como mulher.

O fato é que faltam postulantes aos cargos legislativos e executivos. As mulheres, em sua grande maioria, têm asco da política. E não é sem motivo.

Muitos donos de partido consideram a obrigatoriedade das cotas femininas um entrave para o avanço de suas legendas nas eleições.

E a falta de recursos, aliada com o clima de “salve-se quem puder” existente na política auxiliam a manter todo o quadro como está.

Como estimular as mulheres de bem a participarem deste jogo? Como fazer com que elas percebam o seu papel – fundamental e indispensável – na mudança desta política que aí está?

Mulheres sem interesses escusos, sem grau de parentesco com coronéis e figurões de outros tempos… como essas mulheres podem se engajar?

Fica difícil imaginar um cenário motivador. Porque se a mulher precisa abandonar seu emprego, deixar de lado a família, o cuidado com os filhos, muitas vezes, para percorrer toda uma campanha política ainda tendo de desembolsar seus recursos poucos – é claro que elas vão preferir manter a sua esfera de atividades restrita. E tentar fazer as mudanças de dentro de casa.

É muito interessante para o sistema que aí está que as mulheres mantenham-se quietas em seus trabalhos e casas. Porque mulheres conscientes e realmente motivadas são máquinas perigosas.

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