Nesta última semana, uma série de notícias desencontradas deu o tom – triste tom – de como anda a cobertura jornalística no Brasil atualmente.

Enquanto os membros dos governos tratam de colocar a pecha de “vendidos” e “mercenários” nos jornalistas, estes não se preocupam em fazer seu trabalho como mandava o figurino há alguns anos atrás: cheque e (re)cheque as informações.

Criou-se um campo de guerra. Uma batalha triste entre “nós contra eles”. Jornalistas de um lado. Políticos do outro. Uns acusam os outros de falta de credibilidade. E no meio deste bolo, todos perdem.

As acusações hostis dos filhos do presidente da República, Jair Bolsonaro, contra a imprensa, são um sinal triste de que o Brasil está indo por um caminho muito perigoso.

Devemos sim, lutar pela qualidade e veracidade dos fatos – mas a profissão, o jornalismo não pode ser jogado na lata do lixo.

Não se pode cair na tentação de generalizar. E dizer que absolutamente todos os veículos de imprensa estão preocupados em propagar a crise, e disseminar o ódio. Isso não é verdade.

Há que se ter ponderação. Prudência. Critério. Bom senso.

Não existe um brasileiro ético que torça contra o país neste momento. Precisamos que tudo, absolutamente tudo dê certo.

Precisamos que a Reforma da Previdência dê certo. Que o Congresso Nacional engula seu Ego gigantesco e seus interesses escrotos. Precisamos do Pacote de Leis Anticrime do ministro Sergio Moro.

Precisamos que as contas sejam enxugadas. Que o presidente trabalhe em paz. Que possa fazer o seu trabalho, sem ser assombrado por cobranças absurdas que acabam por gerar declarações tão absurdas quanto – afinal, ninguém é de ferro.

Não existem apenas jornalistas inescrupulosos torcendo para dar tudo errado. A generalização é burra. E ofensiva. E de certa forma, um bocado desestimulante.

Numa semana em que foram muitas notícias preocupantes, o brasileiro precisa filtrar a fonte. Infelizmente, aqueles grandes nomes da profissão que sempre foram confiáveis, agora são contestados, claramente. E é preciso levantar a informação em outros lugares.

Não se trata de uma coisa ruim, se for parar para pensar. Quando pesquisamos uma informação em diversas fontes, acabamos por desenvolver nosso próprio senso crítico. E isso é um diamante bruto. Você será capaz de ter as suas concepções, as suas ideias. Ninguém vai entrar na sua cabeça e ditar seus pensamentos. Esse é o começo da liberdade.

É o que políticos de cabresto mais temem.

Num âmbito mais profundo, essa crise tem este lado excelente. Estamos sendo forçados a aprender separar o joio do trigo. Sozinhos. E isso é mágico.

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