Os dados sobre a violência contra as mulheres estão aí para deixar bem claro o quanto não é simples ser uma delas no Brasil.

A cada duas horas, uma mulher é assassinada aqui. Geralmente, por seus parentes. Sejam maridos, namorados, pais, padrastos… Como se esse número não fosse o bastante, têm todos os outros que permeiam estupros, assédios de toda natureza, enfim.

Num movimento que vem se mostrando cada vez mais crescente, porém, as mulheres estão começando a entender que precisam cuidar umas das outras.

A palavra “patriarcado” está se tornando uma arma cortante. Para algumas, é a definição do que precisa ser combatido – para outros, o exagero das “feminazis”.

É preciso, no entanto, pensar em termos mais abrangentes. Os homens devem compreender que as mulheres estão em seu direito. Elas merecem a igualdade. Merecem falar sobre isso à exaustão.

Mesmo que pareça chato para alguns homens esse tipo de discurso, eles precisam entender: existe um equilíbrio nas relações que precisa ser alcançado. E que ainda está muito distante.

A sororidade – ou irmandade entre as mulheres, falando de forma simples – nada mais é do que uma ferramenta para que elas possam chegar umas às outras e propagar suas ideias. Propagar e tentar quebrar os paradigmas de inferioridade que ainda existem dentro de outras tantas mulheres.

É normal para muitas que o homem precise “ajudar” quando chega depois do trabalho. Sendo que não. Não é ajuda. É a obrigação conjunta, dos dois donos da casa.

Meninos e meninas, crianças, precisam ser educadas com uma noção menos competitiva nas relações. Se os pequenos aprenderem desde cedo os conceitos de acolhimento e igualdade, não há como a violência se perpetuar.

Mas infelizmente, o que fica presente, desde os tempos da Idade de Ferro, é que todos precisam se adequar aos padrões impostos. Não há espaço para compaixão diante do diferente, do mais fraco (que pode apresentar outras qualidades).

Como resultado, temos hoje uma sociedade onde as crianças aprendem desde muito cedo a repelir tudo que não está em seus padrões. O acolhimento só existe de maneira extremamente frágil, quando o colega se “encaixa” – apenas enquanto isso acontecer.

Há muita coisa para mudar. A reflexão em torno do Dia Internacional das Mulheres precisa ser profunda a este nível. Não se trata de embate entre machos e fêmeas. As energias masculinas e femininas que envolvem a Terra precisam de uma abordagem diferente – o quanto antes. Só assim o equilíbrio do planeta poderá ser alcançado novamente.

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