Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, em maio de 2018, mostrou que 81% dos eleitores declaravam preferir votar naqueles candidatos que não exercem nenhum mandato. Ou seja, estão apostando na renovação. Coincidência – ou não -, muitos postulantes aos cargos do pleito deste ano começaram a se apresentar como ‘o novo’, prometendo a renovação que o eleitorado almeja.  

Mas será que essa tese é válida? Já dizia o escritor italiano, Giussepi Tomasi de Lampediza, no clássico livro ‘O Leopardo’, que “é preciso mudar para que tudo continue como sempre foi”. Sendo assim, o eleitor precisa estar bem atento e analisar quem está por trás de uma candidatura.

 

Uma tendência

Apresentar-se como o ‘novo’ não é postura tão recente, mas está diretamente relacionada ao momento político que o Brasil vive, segundo o cientista político Bruno Gallo.

“A narrativa do ‘novo’ surgiu com bastante força na última eleição e está ligada ao eleitor que tenta encontrar candidatos que representam algo diferente. Esse recurso tem uma tendência de ganhar bastante força nesta eleição, por conta de toda a situação envolvendo corrupção e desmotivação por parte do eleitorado”, comenta Gallo.

Para o cientista político, Leandro Consentino, muitos candidatos se apresentam como o ‘novo’’ para tentar desvencilhar das práticas antigas, o que não traz garantias ao eleitor.

“Na política, todos querem de alguma forma se apartar desse rótulo de uma política desgastada e antiga. É bom deixar claro que ser novo não é garantia que será bom”, explana Consentino.

 

Filho de peixe, peixinho é?

O eleitor mais atento irá perceber que os filhos de muitas ‘figurinhas carimbadas’ no cenário nacional estão disputando cargos nessa eleição. Danielle Cunha, filha do ex-deputado federal Eduardo Cunha – preso em outubro de 2016 na operação Lava-Jato – vai tentar uma vaga na Câmara dos Deputados, utilizando nas urnas o mesmo número que o pai.

Esse é um exemplo, dentre milhares de outros no âmbito político (vide box), que leva o eleitor a imaginar que a maneira ilícita  de se fazer política pode estar arraigada nas famílias que ocupam os cargos públicos.

Segundo Leandro Consentino, há um problema grave na democracia brasileira que são as dinastias políticas. “Isso, de alguma forma, faz mal a democracia no sentido de renovar práticas, de tentar mostrar uma isonomia”, diz.

 

O outro lado (intertítulo)

O Jornal do Trem & Folha do Ônibus questionou todos os candidatos listados abaixo, sobre o histórico familiar na política e se apresentar como a renovação. Somente Juliana Cardoso, Claudio Piteri e Junji Abe se posicionaram, demonstrando respeito ao eleitor.

“Carrego a bandeira da nova política, renovação não apenas de nome, mas de ideias e práticas. Tenho o compromisso com o ideal de mudar para melhor o país, com justiça social, oportunidades, emprego e qualidade nos serviços oferecidos de pelo poder público – tão sucateado e desgastado. Acredito que querer estar no espaço público e de poder é um direito das mulheres”, declarou Juliana.
Claudio Piteri comenta que ter o apoio dos velhos conhecidos da política é uma honra e defende que “os eleitores precisam eleger candidatos da região”.

O ex-prefeito de Mogi das Cruzes, Junji Abe diz que “mais que renovação, a população deseja representantes que trabalhem de verdade para atender suas necessidades e anseios”.

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