A eleição de um novo governo traz uma grande expectativa de melhorias em diversas áreas, como a Educação. Espera-se que todos os projetos que não foram levados a sério nas gestões passadas sejam colocados em prática e investimentos ocorram para trazer qualidade a um sistema que está, a cada dia, mais defasado e sem perspectiva de melhoras.

Mas o que ocorreu nesses três meses de governo foi uma verdadeira ‘lambança’ no MEC (Ministério da Educação). Os avanços educacionais não aconteceram, a briga de egos prevaleceu e o caos se tornou ainda mais intenso, colocando em xeque o futuro da educação brasileira.

 

Tempos perdidos

O que foi feito na política educacional nos meses em que o Ministério da Educação esteve sob a regência do ex-ministro Ricardo Vélez?  A resposta é simples e preocupante: nada – assim como nas gestões anteriores.

Segundo o diretor de políticas educacionais do Todos Pela Educação, Olavo Nogueira Filho, os primeiros meses de um novo governo foi marcado, apenas, “por uma inoperância geral, disputas de poder interno e o que é essencial de ser avançado, quase nada andou”.

Para o educador e consultor educacional, Ricardo Pires, a falta de gestão da Educação já é observada ao longo dos anos, em todos os âmbitos, municipal, estadual ou nacional.

“Essa situação contribui para a adoção de medidas apressadas e equivocadas, bem como a descontinuidade dos projetos contribuindo para o sucateamento da escola pública e os péssimos resultados apresentados pelos estudantes brasileiros”, explana Ricardo.

Nova tentativa

Com a demissão de Vélez, o comando do MEC ficou a cargo de Abraham Weintraub. Uma nomeação que traz questionamentos e uma incerteza sobre a condução da pasta.

“O maior desafio de qualquer ministro para a educação é voltar a dar centralidade ao Plano Nacional de Educação. Acontece que pelo perfil de Weintraub, o país está longe de ter isso implementado adequadamente”, explana a coordenadoria executiva da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda.

Olavo Nogueira comenta que é importante que o Governo Federal e o ministro Abraham compreendam a grande responsabilidade que têm nas mãos.

“É imprescindível que a nova gestão escolha uma equipe técnica com experiência no desenho de políticas educacionais, gestores capazes de colocar em prática o importante papel de coordenação e apoio técnico do MEC aos estados e municípios”.

Imensos desafios

O Brasil está longe de atingir o nível de excelência na educação, tendo em vista que a prioridade nessa área sempre foi deixada em segundo plano. Porém, o diretor de políticas educacionais do Todos Pela Educação explica que já está consolidada uma agenda que indica as iniciativas centrais para fazer o país avançar com qualidade e equidade no ensino.

“Há entre essas iniciativas as mais urgentes e que demandam atenção imediata do MEC, como o aprimoramento do mecanismo de financiamento da Educação Básica, o estabelecimento de um sistema nacional de Educação de modo a distribuir melhor as responsabilidades educacionais entre os entes, o apoio técnico e financeiro à implementação da Base Nacional do Ensino Médio, bem como consolidação das mudanças na etapa e a adaptação dos materiais, avaliações (como o Enem) e a formação dos professores”.

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