O fim do ano se aproxima e muitas pessoas aproveitam para fazer uma reflexão sobre os fatos bons e ruins que aconteceram neste período. Diante de tantos questionamentos, um deve ser analisado com muita atenção: a prática da bondade.

Você foi bondoso durante esse ano, ofertando ao seu próximo o que você tem de melhor? Não se refira apenas a bens materiais, mas ao carinho, ao abraço, ao conforto nos momentos difíceis e a doação de um pouco de seu tempo para compreender a outra pessoa, colocando-se em seu lugar.

Saiba que a bondade é um sentimento nato do ser humano. Sim, você já nasce com esse dom, só restando colocá-lo em prática para que o mundo se torne um pouco melhor.  

 

Atitude que transforma

Um ato de bondade pode modificar a vida de uma pessoa, pois ao ser bondoso, o ser humano é capaz de impedir que sentimentos ruins se propaguem no mundo. Para quem pratica a bondade, um simples gesto pode parecer insignificante, mas para quem recebe pode ser um ato valioso e transformador.

Segundo a psicóloga Selma Alves, “a bondade tem a ver com o ser amoroso e agir em beneficio do outro – de um animal ou outro ser vivo. É querer e desejar o bem, e tem a ver com a paciência, a tranqüilidade, um sentimento profundo e a habilidade de se colocar no lugar do outro”.

 

A lei do retorno

Dizem que não se deve praticar o bem, pensando em se auto ‘beneficiar’. No entanto, estudos mostram que ao desenvolver a bondade, o homem está cuidando de sua saúde emocional porque esse sentimento permite uma sintonia entre o cérebro e o coração.

“A pessoa bondosa possui positividade em suas atitudes e pensamentos. O resultado do comportamento de ajudar o outro, ser empático, ser amável e ver o outro como alguém com valor próprio, traz boas sensações ativadas por um hormônio importante que é a oxitocina – responsável pela nossa capacidade de sentir empatia, de confiar no outro e favorecer as funções sociais -, o que leva o indivíduo a sentir-se alguém de valor no mundo”, explica a psicóloga Selma.

 

Fator contrário

Os valores que hoje sustentam a maior parte da sociedade – egocentrismo, individualismo, vaidade, soberba, competição, ignorância, entre outros – estão na contramão do que a bondade propaga, impedindo que o ser humano coloque em prática a compaixão, a empatia e a gratidão.

“Vejo a tendência à compaixão e bondade como temperamento que muda na intensidade de indivíduo para indivíduo – cada um tem o seu, ou seja, reage de forma diferenciada afetivamente. Porém, à medida que o ser humano se desenvolve, acaba sofrendo influências do meio em que vive, pois começa a seguir modelos do que se vê em um seio familiar desestruturado ou é influenciado por amigos, programas de TV e redes sociais cujos comportamentos de agressividade, maledicência, egoísmo e desonestidade são ressaltados”.

 

Dê o primeiro passo

Caro leitor, ao ler esse texto você pode ter se questionado sobre não ter colocado, ainda, a sua bondade em prática. Saiba que nunca é tarde para começar e as ações são muitos simples para tentar transformar a vida de uma pessoa e fazer deste mundo, um lugar melhor para se viver.

“Como força de caráter, é possível a qualquer pessoa desenvolver a bondade, basta querer se evoluir como ser humano, através de treinos de ações bondosas, observação constante dos resultados de seus comportamentos e, em havendo necessidade, um processo psicoterapêutico para identificar a causa da dificuldade em ser bondoso”, comenta Selma.

A psicóloga dá algumas dicas para você dar o primeiro passo e colocar a bondade em prática. “Trate o outro com carinho, através de gestos, de atenção e escuta ativa; seja gentil consigo mesmo e perdoa-se por qualquer erro cometido; seja educado, cortês, gentil e amoroso com o outro”.

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