Dia 14 de junho começa a Copa do Mundo da Rússia e a Seleção Brasileira entra em campo no domingo, 17, contra a Suíça. Por aqui, a euforia dos brasileiros ainda não foi percebida, nas ruas e no comércio, mesmo o futebol sendo visto como uma ‘paixão nacional’.

Para alguns especialistas, esse distanciamento está relacionado aos problemas políticos e econômicos que o Brasil vive, a decepção da Copa de 2014 – depois do placar de 7X1 no jogo contra a Alemanha – e a presença de jogadores na Seleção que não tiveram uma história significativa em clubes locais. Apesar de todos esses fatores, acredita-se que essa ‘paixão’ será despertada no decorrer das partidas.

 

Altos e baixos

O Brasil é o país do futebol e, por isso, é uma das paixões dos brasileiros. Para o colunista da Universidade do Futebol, Guilherme Costa, essa idolatria está relacionada à capacidade de mobilização do esporte em torno de um assunto, oferecendo a diferentes estratos sociais a possibilidade de pertencimento.

“É fundamental entender que o futebol acompanha todas as transformações sociais do país desde o início do século passado e que acaba influenciado por elas”, diz Guilherme.

No entanto, essa relação já não se mostra tão intensa como em anos anteriores, segundo o pesquisador em Comportamento Humano da Unifesp, Ricardo Monezi.

“Estamos em um período muito delicado – instabilidade política e econômica – e isso fez com que o foco da Copa do Mundo fosse transferido para outras questões. Percebe-se, também, que o brasileiro não entrou no clima do mundial porque ainda há uma ressaca de 2014. Os brasileiros depositaram uma grande expectativa em um grupo, mas a frustração foi muito maior”.

 

Com os olhos vedados

Apesar de o Brasil não estar na euforia da Copa do Mundo, nos dias de jogos a realidade é outra. O que se vê no país é o comércio fechado, empregados dispensados para acompanhar os jogos e um cenário político mais calmo – pré-candidatos menos afoitos para estar nas ruas.

Segundo Guilherme Costa, “essa influência está relacionada com a relevância que o futebol tem como construção social e a capacidade de mobilização que o esporte demonstra”.

Mas para Ricardo, esse período pode tornar-se ‘perigoso’ para os brasileiros porque a festa pode impedi-los de enxergar o que continua acontecendo no país.

“A prioridade para a maior parte da população será a questão da torcida, da festa, e com isso os problemas que continuam no país podem ser esquecidos. Assim, muitas pessoas podem aproveitar desta situação”, diz o pesquisador.

 

Uma torcida mais ampla

O brasileiro está sofrendo com a corrupção, com o desemprego e outros fatores que não colaboram com uma expectativa de vida melhor. E muitos acreditam que a Copa do Mundo é um momento de se desligar de todos esses problemas.

Para o pesquisador Ricardo, esse sentimento despertado no mundial deveria ser colocado em prática não apenas para um grupo de jogadores, mas pela pátria.

“Espera-se que esse sentimento se estenda de junho até outubro, e que o brasileiro possa pensar com amor não apenas na hora de desejar o gol, mas na hora de ir às urnas para um processo eleitoral que vai acontecer agora e que os resultados serão nos próximos quatros anos – e não de imediato como acontece um gol”, diz Monezi.

 

Olho: “A paixão das pessoas pelo futebol é associada à capacidade inclusiva do jogo. Trata-se de um ambiente em que faixa etária, gênero ou renda são elementos de segundo plano”, diz Guilherme Costa

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