O ano de 2018 começou não agradando os brasileiros. Além do baixo reajuste do salário mínimo, os trabalhadores se viram obrigados a pagar uma passagem mais cara pelo transporte público em várias cidades do país.

Especialistas acreditam que, em alguns municípios, o reajuste se fez necessário tendo em vista o aumento dos custos das empresas de transporte, como exemplo o preço do diesel. Porém, em outras cidades que não oferecem nenhum benefício a mais aos usuários – como a integração com o Metrô ou CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) -, o aumento foi visto apenas como uma forma de beneficiar os empresários do transporte coletivo.

 

Em São Paulo

O aumento da tarifa do ônibus, trem e metrô na cidade de São Paulo já havia sido anunciado no final de 2017, e entrou em vigor no último domingo, 07 de janeiro. A prefeitura de São Paulo informou que a “alteração em 5,26% está abaixo da inflação acumulada desde o último reajuste em janeiro de 2016, e que o reajuste foi necessário para adequar a receita aos custos do sistema”.

As tarifas dos ônibus metropolitanos do sistema da EMTU também terão reajuste a partir de 16 de fevereiro. Segundo informações no diário oficial, a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos “está solicitando providências operacionais para a alteração dos valores que ainda não foram definidos”.

 

Região Metropolitana

Nas cidades de Barueri e Osasco, os usuários do transporte público foram surpreendidos com o reajuste de R$ 4,20 para R$ 4,35, sem nenhuma comunicação prévia. As prefeituras foram questionadas sobre esse procedimento, mas até o fechamento dessa edição não encaminhou as respostas.

Já em Itapevi, que também seguiu o reajuste dos demais municípios que compõem a Cioeste, a prefeitura explicou que “o aumento da tarifa permite manter os serviços e investimentos no transporte público e que o percentual ficou abaixo do aumento acumulado do óleo diesel e da inflação no período”.

A prefeitura de Carapicuíba explicou que a atual administração encontrou os contratos e a concessão do transporte coletivo já em vigor no município e que preza pela responsabilidade na administração pública.

“As empresas pediram autorização de aumento para R$ 4,63, fato que a gestão não concordou e autorizou apenas o reajuste de R$ 0,15 – valor menor do que nos anos anteriores”, informou a prefeitura.

 

No Alto Tietê

A prefeitura de Suzano não atendeu à solicitação da concessionária do transporte público na cidade, a Radial Transporte, para aumentar a tarifa de R$ 4,10 para R$ 4,95.

“Não é o momento para que se pense em aumento no preço da passagem de ônibus. A prefeitura de Suzano aguarda da concessionária a execução de melhorias no serviço estabelecidas no começo do atual governo e que ainda não tiveram início”, disse o prefeito Rodrigo Ashiuchi.

Em Mogi das Cruzes, o prefeito Marcus Melo também barrou o reajuste da tarifa, após a solicitação das empresas de R$ 4,10 para R$ 5,33. Vale lembrar que a Câmara Municipal aprovou, em dezembro de 2017, um projeto para manter isentas as concessionárias do transporte coletivo do ISS (Imposto Sobre Serviços) de 2018 a 2021.

 

Sem previsão de aumento

No Grande ABC, as tarifas do transporte público não serão reajustadas no mês de janeiro, uma decisão do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, na última terça-feira, 09.

“As prefeituras consorciadas não foram provocadas pelas empresas de transporte público da região, e o Poder Público não vai autorizar qualquer reajuste nas tarifas sem que as empresas abram as suas planilhas de custo”, informou o presidente do Consórcio, o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando.

 

Justificado ou não?

Para o especialista em Transporte, Adamo Bazani, o aumento nas tarifas se fez necessário, em São Paulo, mesmo considerando que o valor para utilizar o transporte público seja caro.

“O reajuste é preciso porque houve aumento dos custos e isso precisa ser repassado. A questão é como financiar todo o transporte coletivo porque as tarifas são caríssimas para quem paga e insuficientes para oferecer um serviço de qualidade”, explica.

Já o representante do Movimento Passe Livre em São Paulo, Diego Soares, comenta que nenhum reajuste de tarifa se justifica, tendo em vista que se houvesse uma auditoria nas planilhas de custo do transporte, ficaria nítido que os valores antigos já seriam suficientes para pagar as despesas e gerar lucro aos empresários.

No que tange aos aumentos em outras cidades, Adamo Bazani comenta que não é justificável. “Em Osasco, Barueri e Itapevi o aumento ocorreu da noite para o dia e sem menor explicação, discussão e antecedente para os usuários. As prefeituras podem até explicar que as tarifas são mais altas que na cidade de São Paulo, Metrô e CPTM porque não há subsídios, porém na capital há um sistema muito mais amplo como integrações, o que não se verifica nessas cidades”, diz o especialista.

Leia também

Deixe uma resposta