Sabe aquele dia que você decide fazer uma verdadeira limpeza nos armários da sua casa, como guarda-roupa e cozinha, e verifica que alguns objetos estão ali parados por muito tempo sem serem utilizados e que alguns ainda se encontram com a etiqueta de compra?

Se você se viu nessa situação, saiba que acumula itens sem necessidade – mesmo que venha com a velha desculpa de ‘que um dia pode precisar’ – e desenvolve um apego material, seja por questões emocionais ou pela compulsão de comprar porque o produto está em promoção ou, até mesmo, pelo simples fato de sentir bem ao consumir.

Em alguns casos, esse acúmulo exagerado pode ser patológico e precisa ser tratado com um especialista.

 

O consumismo exagerado

O mundo capitalista obriga o cidadão a estar sempre antenado com as inovações, levando dessa forma ao consumismo exagerado. Segundo o psicólogo e professor da Universidade Positivo, em Curitiba, Gilberto Gaertner, esse consumismo exacerbado ocorre porque grande parte dos produtos é projetado com prazo de validade limitado.

“Este cenário favorece a um consumo exagerado e, como consequência, tem-se a produção de uma quantidade absurda de lixo que satura o nosso planeta”, diz Gilberto.

 

Por que acumular?

O capitalismo leva ao consumo exagerado e, consequentemente, ao acúmulo de produtos – sejam roupas, utensílios domésticos, produtos de beleza -, o que pode ser explicado pela compensação para questões emocionais não resolvidas ou casos patológicos.

“A pessoa preenche o vazio ou necessidades afetivas comprando exageradamente. Ela acaba preenchendo artificialmente suas necessidades, não se satisfaz plenamente, e continua repetindo o processo compulsivamente”, diz o psicólogo.
Para Gilberto Gaertner, para a pessoa não iniciar esse processo de acúmulo, ter atenção ao comportamento é o ponto chave.

“Vivemos a maior parte do tempo no piloto automático e agindo mecanicamente. Se você fica mais atento e está mais presente naquilo que faz e em cada momento existencial que você vive, as suas escolhas passam a ser mais coerentes e mais assertivas. Com menos coisas à sua volta, a vida pode ser simplificada”, diz.

 

E quando é sentimental?

Guardar objetos que remetem a bons momentos na memória – associados a uma pessoa especial ou momentos marcantes da vida – é uma prática muito comum, porém deve ser feita de forma controlada, como explica Gilberto.

“Guardar alguns objetos pode ser algo natural, desde que não seja em exagero. A acumulação exagerada de itens com significado afetivo pode remeter a dificuldade de se desapegar do passado e de situações emocionais não resolvidas”, esclarece.

 

Para desapegar

Você, caro leitor, se viu nessa situação de acúmulo de objetos? Não se desespere, sempre é possível dar o primeiro passo para resolver a questão.

“Sugiro iniciar com um trabalho de autoconhecimento, pois se a pessoa não se conhece minimamente, não é possível se orientar existencialmente. Olhando um pouco para dentro é possível identificar o que realmente necessitamos para viver, com certeza é muito menos do que a maioria das pessoas acumula a sua volta. Ter espaços vazios no seu guarda roupa e na sua casa é muito importante. Os japoneses, por exemplo, pautados na influência do Zen valorizam os espaços vazios e o silêncio entre uma fala e outra nas peças teatrais”, orienta o psicólogo.

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