As dívidas dos brasileiros com as contas de água e luz subiram 14% em janeiro deste ano na comparação com o mesmo período de 2018. Os dados fazem parte do Indicador de Inadimplência do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) Brasil e da CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas).

Os números mostram ainda uma desaceleração da inadimplência em janeiro de 2019 ante dezembro de 2018. Nos últimos 12 meses até janeiro, o endividamento subiu 2,42%. Em dezembro, a alta havia sido de 4,41%.

“A desaceleração é positiva, mas o cenário ainda é de crescimento da inadimplência”, diz Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC. Para ela, o descontrole do orçamento ainda é um reflexo dos efeitos da crise de 2017, que seguiram ao longo do ano passado e devem se estender também nos primeiros meses de 2019.

 

De olho no orçamento

Segundo Marcela, também há um “problema muito sério de educação financeira” que leva as pessoas a gastarem o que não podem, principalmente na faixa dos 30 aos 39 anos, quando as responsabilidades tendem a aumentar.

“É quando geralmente as pessoas se casam, têm filhos, financiam imóvel. Acaba tendo essa concentração de dívidas”, explica.

Essa faixa etária é a que mais concentra devedores (51%), seguida da faixa entre 25 e 29 anos (44%) e dos idosos entre 65 e 84 anos (33%). Já os mais jovens, com idades entre 18 e 24 anos, representam 17% do total de endividados, estimados em 62,08 milhões de brasileiros. Só no Sudeste, o número de negativados chegoua26,5 milhões. As dívidas com bancos ainda concentram a maior parcela do endividamento do brasileiro, atingindo 52,2% dos devedores.

 

Oito em cada dez voltam a dever

Outro levantamento do SPC Brasil e da CNDL mostra que, em janeiro, oito em cada dez devedores são reincidentes, ou seja, voltaram aos cadastros de inadimplentes.

O Indicador de Reincidência aponta o volume de devedores que atrasaram mais de duas contas e já haviam aparecido no cadastro de devedores ao longo dos últimos 12 meses. Nesses casos, 28% haviam regularizado a dívida anterior, enquanto 51% ainda estavam com uma dívida pendente. Os 20% restante de pessoas que se tornaram inadimplentes em janeiro não estiveram com restrições no CPF ao longo dos últimos 12 meses e, por isso, não são consideradas reincidentes.

A pesquisa mostra ainda que, depois de pouco mais de três meses após ficar inadimplente, o consumidor volta a atrasar o pagamento de uma segunda conta.

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