As promoções da Black Friday, que neste ano cai no dia 23 de novembro, agora duram um mês. Os comerciantes aumentaram o tempo das ofertas para atrair mais clientes e amenizar o gargalo logístico criado pela concentração de vendas.

“No começo de novembro as promoções já são iniciadas, e a gente precisa acompanhar”, diz Ana Clara Roriz, dona da loja de decoração Collector, que também é ecommerce.

 

A logística

Fazer um mês inteiro de liquidação pode não ser viável para todos. Nesse caso, entra em cena a criatividade dos empresários.

O tipo de promoção varia com a estratégia do empreendedor. Se o objetivo é atrair novos clientes, vale investir em descontos agressivos, para a chamar a atenção, aliados a bom atendimento.

“Não adianta fazer uma ação que conquista 10 mil clientes e atendê-los de forma ruim, porque essas pessoas não vão mais comprar na loja”, diz Felipe Rodrigues, diretor da Enviou, que desenvolve ferramentas para ecommerces.

O bom atendimento também passa por garantir o estoque para as promoções anunciadas – senão o consumidor pode se sentir enganado.

Em lojas virtuais, é importante ter uma plataforma que suporte o aumento de visitantes. Outro problema é o prazo de entrega, difícil de prever quando há pico na demanda. Nesse caso, é melhor aumentar a data prevista em alguns dias do que atrasar o prazo.

Também é importante ter uma política clara de trocas, para evitar queixas no pós-venda, e pessoas de plantão para atender reclamações.

 

Levando a sério

Divulgar que a loja vai participar da Black Friday é essencial e deve ser feito com algumas semanas de antecedência, mas sem criar uma expectativa de desconto que não vai se realizar. Se vender a ideia de megaliquidação e depois reduzir os preços em 5%, os clientes ficarão insatisfeitos.

Para não cair nesse problema é preciso planejar os descontos e saber a margem de lucro de cada produto. Mesmo na Black Friday, vender bem não é igual a vender muito.

Na conta do lucro entram também as taxas dos cartões, embalagens, impostos e todas as despesas da loja, como explica Cassia Godinho, consultora do Sebrae.

Vender abaixo da margem de lucro pode ser uma forma de atrair clientes, mas funciona melhor se for uma decisão consciente e não um descuido por falta de cálculo.

 

Disputa de mercado

A concorrência com os grandes varejistas é sempre um desafio para os pequenos empreendedores. A disputa fica ainda mais difícil na Black Friday, quando empresas que comercializam produtos próprios e de lojistas parceiros fazem promoções agressivas e muito marketing. Nesse caso, uma estratégia é juntar-se a elas.

Ter seu próprio ecommerce ajuda a não ficar suscetível a mudanças nas regras de vendas dos parceiros, que podem causar estragos no planejamento dos pequenos empreendedores. Além disso, tem mais chances de se sair bem quem não tenta enganar os clientes, que estão mais atentos a fraudes a cada ano de promoções.

Táticas como aumentar o preço antes de novembro e depois oferecer desconto ou embutir no valor do frete o desconto concedido em um produto são percebidas pelos clientes. “Se não tiver condições de fazer a Black Friday de verdade, é melhor não fazer”, afirma Godinho.

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