Leonardo Torres

Quantas vezes você escuta ou fala “eu não aguento mais”; “isso não é para mim”; “eu não me sinto confortável fazendo isso ou aquilo”. Estamos em uma linha tênue: de um lado, pessoas que não enxergam o sentido de suas vidas porque realmente elas vivem vidas que não dão sentido a elas; do outro, pessoas que não tentam, não vão atrás de seus sonhos e se colocam em posição de vítima, pois a zona de conforto é melhor do que ter que sair mundo afora para buscar seu sentido de vida. E a verdade é que buscar o sentido é lidar constantemente com frustrações.

Parece que perdemos a capacidade de lidar com frustrações. Venho me perguntando sobre as novas gerações que os especialistas chamam de “floco de neve”, “nem nem”, etc. A questão é que, se não estamos sabendo lidar mais com as frustrações, estamos condenados à extinção. Em qualquer aspecto da vida, seja físico, social, psicológico, cultural. Precisamos nos frustrar para nos reorganizar, para seguir em frente em nosso caminho de vida. Onde não há desordem de vez em quando, há entropia (falta de trocas), e entropia é sinônimo de morte.

Porém, essas gerações novas se formaram pautadas mais por algoritmos que entregam conteúdos que os fazem se reafirmar enquanto ser e estar no mundo. Isso tudo é um perigo, pois gera “mesmidade” -conviver com o mesmo. Viver e estar no mesmo é confortável e nada frustrante. Estamos cada vez mais mimados pela dinâmica comunicacional das redes sociais e da mídia como um todo. O ser humano não percebeu, mas nada sobrevive a “mesmidade”.

Devemos rumar para a alteridade: a capacidade de reconhecer e conviver com o diferente, com a diversidade. Ela nos promoverá algumas frustrações, pois o embate com o outro sempre comove e assim fará com que nós aprofundemos o conhecimento, as sabedorias e as experiências de vida. Diversidade e alteridade é a chave.

 Leonardo Torres é Doutorando em Comunicação e Cultura Midiática

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