Você encontra sua alma gêmea, tem filhos e vive com ela na saúde e na doença, até que a morte os separe. Foi assim com Lucy, foi assim com John. Só que a morte, em seus lares, chegou cedo demais e virou um luto público, já que o marido dela e a mulher dele registraram as respectivas batalhas contra o câncer em best-sellers publicados postumamente. Foi então que Lucy Kalanithi e John Duberstein se conheceram. E se apaixonaram.

Em maio de 2016, Lucy, professora-assistente do curso de medicina da Universidade Stanford, falou sobre o luto, “algo em geral solitário”. Não para ela.

“Para muita gente, é raro ouvir o nome de alguém que perdeu. Comigo é o contrário. Todos que encontro querem falar sobre Paul. Achei que não seria, mas isso é ótimo. Catorze meses desde a morte, parece muito tempo, exceto quando seu marido morre”.

Um ano depois, aproximou-se do recém-viúvo Paul. No começo de 2018, contou ao “Washington Post” sobre a relação em que “tudo parecia bizarro demais para se encaixar.” Mas encaixou. “Estou surpresa em quão ridículo e natural é ao mesmo tempo.”

Nos dias finais de sua vida, Nina se inquietou: como o marido, John, superaria sua morte? Sugeriu que contatasse Lucy. Ela tinha experiência no assunto.

Doente, em lágrimas, fez o marido prometer que “estaria aberto a achar outros relacionamentos” e “não fazer vasectomia”, John recorda.

Você pode se apaixonar por alguém e sofrer por outra ao mesmo tempo. Não é tragédia ou alegria. São ambos.

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