SAÚDE

Sem pregar os olhos

Bruno Favoretto
É certo que o brasileiro é rodeado de problemas que podem tirar o sono. Tem aqueles pais protetores, que se descabelam ao pensar no bem-estar dos filhos em meio “a tanta criminalidade”. Também existe uma infinidade de pessoas preocupadas com as contas a pagar. Em menor escala, nessa época de eleições, também há alguns eleitores de cabeça quente por pensar no futuro do Brasil.
Fato é que, independente do motivo, em alguns casos não conseguir dormir durante a noite é algo que deve ser tratado como doença – vale lembrar que, quando ocorre durante um curto período de tempo, a insônia é vista como algo normal. Entretanto, se ocorre com certa frequência durante a semana por um período de pelo menos três meses, fica constatado que virou doença crônica.
 
Questões principais
De acordo com William Adolfo dos Santos, neurologista do Hospital São Camilo, “as principais causas de insônia são: ansiedade, depressão, uso de medicamentos estimulantes, entre outros”. O especialista revela também que uma vasta lista de doenças podem causar o distúrbio. Nesses casos, é necessário curar a doença para o problema desaparecer.
Os sintomas desse tipo de problema geralmente são cansaço, irritabilidade e falta de concentração. “A insônia pode ser considerada uma doença crônica quando ocorre três vezes por semana durante pelo menos três meses”, diz William, lembrando que quando esse distúrbio ocorre em menor escala, ele pode ser sanado com simples medidas de “higiene do sono” (confira box).
Porém, quando a doença chega em um estágio crônico: pernas para que te quero! “A medicação causa controvérsia, mas deve ser utilizada em alguns casos”, diz William, lembrando que prefere uso de medicamentos a curto prazo, evitando assim escravizar o paciente.
 
Rota alternativa
Atualmente os remédios não são a única salvação dos paciente insones. “Existem diversas terapias não farmacológicas indicadas para os tratamentos dos distúrbios do sono”, diz Giselle Passos, pesquisadora do CEPE (Centro de Estudo e Psicobiologia e Exercício).
“A prática de exercícios físicos, por exemplo, vem sendo sugerida como terapia coadjuvante para alguns desses problemas, entre eles a insônia”, afirma Passos, lembrando que é possível usar do mesmo expediente para tratar outros problemas, como “apneia obstrutiva do sono e síndrome das pernas inquietas”.
Nesse caso, o tratamento é feito pelo “educador físico”, um médico que orienta a prática de exercícios físicos de acordo com o paciente que tem em mãos. “Enquanto pesquisador, o educador físico pode desenvolver pesquisas que visam determinar o melhor horário de prática, intensidade e o tipo de atividade que pode ser utilizado como terapia para os distúrbios do sono do paciente”, lembra Passos.
 
Algumas dicas
Segundo os especialistas, para cada tipo de problema existe um exercício específico para auxiliar no tratamento. No caso da insônia (e da síndrome das pernas inquietas), a prática de exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida e ciclismo, reduz os níveis de ansiedade e estimula agentes hormonais que podem auxiliar no tratamento de tais problemas.



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