Sabrina Machado
“Alguém sabe qual feriado comemoramos na próxima terça-feira, dia 07?”, perguntou o professor. Eis que a sala de aula ficou em silêncio. Nenhum aluno soube a resposta correta: Independência do Brasil. Pode parecer mentira, mas tal fato aconteceu durante a semana em uma universidade de São Paulo. A tecla já foi batida algumas vezes pelos meios de comunicação, mas o que dificilmente encontramos é alguma explicação sobre os motivos de a maioria dos brasileiros não possuir interesse em conhecer suas raízes e fatos que transformaram o país da forma como é. Os especialistas apontam que a saída é melhorar a qualidade do ensino a fim de escapar da fama de ‘povo acomodado’. Mas será que os governantes pensam da mesma forma?
Reflexo negativo “Quem não aprende a História, não conhece seus direitos e deveres”, afirma Yvone Dias Avelino, historiadora e professora de pós-graduação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica). Infelizmente, a frase não é exagero, já que o reflexo da falta de interesse é notado até nas eleições. Faça um teste e pergunte aos seus amigos se eles ainda lembram em quais deputados votaram nas eleições de 2006. De acordo com Yvone, a falta de memória dos brasileiros contribui para certo marasmo que rodeia a maioria dos cidadãos. “Estamos anestesiados com uma política de propaganda, que é diferente da realidade – e aceitamos passivamente”, completa.
Falta de identificação Esse cenário pode ser explicado pelos movimentos históricos que construíram o país. “As revoluções que aconteceram foram encabeçadas pela elite brasileira. Então, os feitos não foram passados de geração a geração como atos heroicos de um povo que luta por um ideal”, explica o cientista político, José Paulo Martins. Além da falta de identificação com os acontecimentos históricos, o que ilustra a não importância dada aos nossos antecedentes, atualmente, a educação é a responsável por não atender essa questão. “A escola não estimula o aprendizado com as datas históricas. Portanto, o que fica é o costume de que o feriado é apenas uma data de descanso”, analisa Yvone.
Acomodação do povo Para os assuntos políticos a palavra que remete é a acomodação. De acordo com uma pesquisa realizada pela Unicamp (Universidade de Campinas) em 2002, 75% dos brasileiros acreditam que cada um cuida do que é seu e o Estado é responsável pelo que é público. “Isso é consequência de não se importar com o coletivo”, aponta José Martins. Segundo Yvone, o brasileiro está analfabeto diante de sua História e isso é um dos responsáveis pela acomodação. A reportagem do Jornal do Trem & Folha do Ônibus perguntou para 10 pessoas se elas sabiam o que se comemorava no dia 9 de julho. Apenas três entrevistados explicaram que a data era feriado para relembrar a Revolução Constitucionalista de 1932. O fato é de tamanha relevância que um dos maiores monumentos da cidade de São Paulo – Obelisco Mausoléu do Ibirapuera – foi construído em referência aos que lutaram contra a ditadura de Getúlio Vargas. A época é diferente, o brasileiro não precisa lutar contra uma tirania, mas existem muitas questões problemáticas com a política do país – e a corrupção é a principal delas.
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