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Bruno FavorettoO Dia Internacional da Mulher é reconhecido como uma data de luta para as representantes do sexo feminino. A cada dia, elas conquistam mais espaço e condições de igualdade em todos os âmbitos da sociedade. E aproveitando o momento, o Jornal do Trem & Folha do Ônibus resolveu fazer um retrato da mulher brasileira em uma área reconhecidamente dominada pelos homens: o Exército.
Histórico
Desde os primórdios da nação, a mulher faz parte dos quadros do Exército. Um consagrado exemplo é o de Maria Quitéria de Jesus. Nascida na Bahia, foi a primeira mulher a assentar praça no Exército e participou, como soldado nos campos de batalha, no processo de consolidação da Independência do Brasil. Não à toa, a heroína brasileira é reconhecida, desde 1996, como Patrono do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro - quadro este que abrigou as primeiras mulheres oficiais do Exército em 1992, todas formadas na Escola de Administração do Exército. ![]() Leque de possibilidades
Desde então, as portas foram se abrindo cada vez mais para as mulheres em todas as áreas do Exército, inclusive nos setores de saúde e engenharia. De acordo com o portal eletrônico da Instituição (www.exercito.gov.br), as mulheres podem ingressar em todas as áreas, com exceção feita à frente de combate. “Quando nós (mulheres) ingressamos, já sabemos que as atividades desenvolvidas serão administrativas”, diz a capitão Silvia Duarte, do setor de relações públicas do Comando Militar do Sudeste (CMSE). No caso, esse panorama serve um pouco para desmistificar a imagem de que muitas pessoas têm de que “Exército é coisa só para homem”. “Quem está de fora não imagina, mas são várias as possibilidades para ingressar no Exército”, diz a tenente Alair Helena, de 36 anos, no serviço militar em caráter temporário desde 2008 no setor administrativo. Uma das formas“É engraçado como as histórias são parecidas. Eu nem imaginava que existia a possibilidade de entrar no Exército dessa forma (prestando concurso e sem recorrer ao serviço militar obrigatório)”, diz a tenente Dayana Godoi, de 28 anos, que se formou na turma de Alair e atualmente desenvolve atividades na seção de assistência social. No serviço temporário, o ingresso se dá também através de concurso. “A pessoa se candidata ao serviço militar temporário, serve por um ano, faz o estágio de adaptação e renova seu contrato ano a ano”, explica a tenente Alair, lembrando que o prazo máximo de renovação é de apenas 8 anos – depois o funcionário retorna à vida civil e não pode mais voltar. Motivação
Quem deseja seguir carreira no Exército pensa em inúmeros atrativos: respeito desfrutado pela Instituição, estabilidade, vocação militar, entre outros. E há quem encontrou a felicidade no oficialato verde-oliva. “Eu trabalhava no Rio de Janeiro como relações públicas e estava insatisfeita. Nessa época minha prima entrou no Exército como temporária na odontologia e fiquei motivada a fazer o concurso”, relata a Capitão Marília Villas Boas, que atualmente trabalha no setor de comunicação do CMSE. “Foi uma grande surpresa e satisfação, porque no Exército eu consegui trabalhar plenamente na minha profissão, o que até então não havia conseguido”, diz Marília. Casca grossa
Porém, o fato das mulheres militares não treinarem para participar de uma batalha em campo de guerra isso não significa que, em um primeiro momento, a rotina no Exército não seja “casca grossa” para elas. “Você vestiu a farda, você será tratado de igual para igual, seja homem ou mulher. No curso, no primeiro semestre você aprende a ser militar (marcha, atira, conhece a hierarquia e disciplina). Num segundo mom ento aprende a desenvolver sua atividade, com formação acadêmica ou técnica, dentro do Exército”, afirma a Capitão Marília. “O treinamento que a gente faz é igualzinho: atira de fuzil, vai na lama, faz rapel, sobe e desce morro com mochila pesando 20 quilos nas costas”, diz Marília, lembrando que essa bateria de atividades físicas, chamada de “ralo” no quartel, muitas vezes é suportada melhor pelas representantes do “sexo frágil”. Toque feminino
“Durante o ‘ralo’ eu vi amigo meu falando: ‘eu não sei como vocês estão aguentando essa mochila, as minhas costas estão doendo e vocês tão aí rindo, cantando’”, relata Marília, que ratifica: “dificilmente eu fico sabendo de mulher que desistiu, que reclamou; elas fazem questão de fazer tudo e geralmente são muito elogiadas no final do curso”. Nesse sentido, talvez as mulheres tenham algo que os homens não têm. “Se as mulheres têm a limitação física se comparada aos homens, a gente acaba superando em outras características como, por exemplo, ter mais equilíbrio emocional para dar incentivo para a equipe, apesar de estar na mesma situação”, diz a tenente Alair, relembrando os momentos que passou nos exercícios de campo. Sem distinção
Vale lembrar que as experiências obtidas nesse contexto também não são diferentes para ambos os sexos. “Você começa a se conhecer, conhece seus limites, é um aprendizado emocional e psicológico. Esse espírito de camaradagem é desenvolvido nessas situações de limite”, diz Alair.“É uma experiência única, porque essa ideia de superação é fundamental, é uma experiência de vida, muito mais que profissional. Você vai de um jeito e volta de outro”, explica a tenente. Pelotão, sentido!
Se as mulheres militares possuem fibra e são capazes, por quê então ainda há barreiras, como no caso de não existir um pelotão formado por mulheres? “Eu acho que não só no meio militar, mas ainda vivemos em uma sociedade machista. Mas estamos atravessando essas barreiras: antes não existia mulher no Exército, hoje existe”, diz a tenente Dayana. Para o Coronel Camargo, também do CMSE e do Quadro do Estado Maior da Ativa, ainda não se faz necessário formar um esquadrão feminino para combate. “Não se trata de uma questão de achar que a mulher é mais frágil ou não, é realmente uma questão de necessidade e de objetivos imediatos”, diz Camargo. No entanto, isso não significa que no futuro não haverá um pelotão feminino. “Não é possível fazer uma previsão, mas quem sabe no futuro possamos encontrar mulheres em algumas áreas bélicas”, diz Camargo, lembrando que na Força Aérea já há mulheres pilotando aeronaves. |
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